Remédios que fazem mal aos rins

Certamente, o leitor tem conhecimento que os rins são os principais órgãos responsáveis pela filtração e eliminação de substâncias tóxicas que circulam no sangue. Porém, apesar de ser um dos principais responsáveis pela “limpeza do sangue”, o próprio rim pode sofrer efeitos adversos de algumas toxinas que ele depura.

Entre essas substâncias estão vários medicamentos usados frequentemente na prática médica. Contudo, eles podem causar lesão renal se forem usados de modo inapropriado e continuamente. Outrossim, damos o nome de fármacos nefrotóxicos a todos os medicamentos que apresentam potencial risco de causar lesão nos rins.

Todavia, além da lesão direta de certas substâncias nos rins, existem também um grupo de fármacos que são seguros em pessoas sadias. Mas que se tornam perigosos em pacientes que já apresentam doença prévia nos rins. Portanto, fazendo com que haja piora da doença renal.

Nesse texto, vamos falar um pouquinho das principais drogas nefrotóxicas, ou seja, dos medicamentos que podem fazer mal aos rins. Entretanto, atenção: esse texto não tem como objetivo assustar ninguém, nem fazer propaganda contra medicamentos. O objetivo é mostrar como a auto medicação pode ser perigosa e trazer prejuízos que as pessoas nem imaginam que possam acontecer.

Fármacos Nefrotóxicos

1. Anti-inflamatórios

Quando pensamos em medicamentos que fazem mal aos rins, o primeiro exemplo que vem à mente são os anti-inflamatórios não esteroides (AINES). O principal efeito maléfico dos AINES é a redução da filtração renal, ou seja, da capacidade dos rins em filtrar o sangue.

Dessa forma, pessoas que possuem rins saudáveis até conseguem tolerar essa redução sem maiores complicações. O problema ocorre naqueles que tem insuficiência renal (principalmente em fases avançadas) e, portanto, já apresentam a filtração renal diminuída de base.

Entretanto, esse grupo apresenta grande risco de falência renal aguda e, muitas vezes, necessitam de hemodiálise de urgência quando tomam anti-inflamatórios por conta própria. A saber, o risco cresce a partir do 3º dia de uso. O anti-inflamatório é, portanto, uma droga contra indicada em pacientes com insuficiência renal.

Outras lesões

Outra lesão relacionada aos anti-inflamatórios é a nefrite intersticial, uma espécie de reação alérgica localizada no rim. A nefrite intersticial pode ser causada por várias drogas além dos anti-inflamatórios e se apresenta principalmente como uma insuficiência renal aguda, com rápida elevação da creatinina (VOCÊ SABE O QUE É CREATININA?).

No caso da nefrite intersticial dos anti-inflamatórios ela apresenta uma característica especial que é a presença concomitante de proteinúria e síndrome nefrótica. É bom deixar claro que a nefrite intersticial não é uma reação comum, principalmente se levarmos em conta a quantidade de pessoas que tomam anti-inflamatórios no mundo.

Um terceiro tipo de lesão, mais incomum ainda, é o induzido por uso crônico de anti-inflamatórios. Isso mesmo em pessoas normais. Parece que para pessoas com rins normais desenvolverem lesão renal pelo uso prolongado de AINES. Porém, são necessários no mínimo 5000 comprimidos ao longo da vida. Isso equivale a 7 anos de anti-inflamatórios diários em um regime de 12/12 horas.

O AAS (aspirina) também é um anti-inflamatório e deve ser usado com cautela em pacientes com doenças renais. Embora, muitos desconheçam essas informações, nenhum medicamento deve ser consumido sem orientação médica.

2. Antibióticos

Os antibióticos também são causa de nefrite intersticial. Diferentemente da nefrite pelos anti-inflamatórios, no caso dos antibióticos a proteinúria é pequena. Todavia, outros sintomas como febre e manchas vermelhas pelo corpo associado a insuficiência renal aguda, ocorrem com maior frequência.

Vários antibióticos podem causar nefrite intersticial, principalmente as penicilinas, rifampicina, ciprofloxacino e trimetoprim/sulfametoxazol (Bactrim®).

Alguns antibióticos são nefrotóxicos por natureza e devem ser evitados em doente renais crônicos. Os mais comuns são:

– Aminoglicosídeos: Gentamicina, Amicacina, Estreptomicina, Tobramicina e Neomicina.
– Anfotericina B.
– Pentamidina.

3. Analgésicos

A lesão renal pelo uso prolongado de analgésicos era muito comum até a década de 80. Caiu vertiginosamente após a retirada da Fenacetina do mercado. Hoje, as lesões relacionadas aos analgésicos são causadas pelo uso diário e prolongado (por meses ou anos) do Paracetamol. Principalmente se associado ao ácido acetilsalicílico (AAS).

A dipirona (metamizol) é muito pouco usada em vários países da Europa e nos EUA. Por isso existem poucos estudos sobre sua toxicidade renal. Aparentemente, esse analgésico é uma opção segura para os pacientes com doença renal.

4. Contraste de exame radiológico

Doentes com insuficiência renal devem evitar contrastes radiológicos sempre que possível. Embora, se o exame for imprescindível, deve-se realizar uma preparação do paciente para minimizar os efeitos. Os principais exames que usam contrastes nefrotóxicos são:

Tomografia computadorizada.
Cateterismo cardíaco.
Urografia excretora.
Angiografia.
Ressonância magnética (perigoso apenas em casos de insuficiência renal avançada).

5. Antipsicóticos

Um estudo publicado em 2014 com 200 mil indivíduos com idade acima de 64 anos demostrou que os pacientes idosos que tomam quetiapina, olanzapina ou risperidona, um grupo de fármacos chamado antipsicóticos atípicos, apresentaram um risco duas vezes maior de hospitalização por lesão aguda do que os pacientes da mesma idade que não tomam nenhum dos três medicamentos.

6. Outros fármacos

LÍTIO: usada principalmente no distúrbio bipolar (antigo distúrbio maníaco-depressivo).
ACICLOVIR: antiviral.
INDINAVIR: antirretroviral usado na SIDA (AIDS).
CICLOSPORINA: imunossupressor usado em transplantes e doenças autoimunes.
TACROLIMUS: igual à ciclosporina.
CICLOFOSFAMIDA: imunossupressor usado em doenças autoimunes e algumas neoplasias. Entretanto, há cada vez mais evidências de que os inibidores da bomba de prótons – IBP (omeprazol, esomeprazol, lanzoprazol, etc.) podem causar lesão nos rins, se usados de forma crônica. É comum encontrarmos pacientes que tomam um IBP diariamente por vários meses ou anos, muita vezes sem necessidade

Todos os créditos do artigo ao Dr. Pedro Pinheiro

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